quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Saudosismo. (Pedro A. de Andrade)


E eis que descubro que meu tio Pedrão, homem de poucas (mas sempre boas) palavras, jeitão tranquilo e sereno, pelo menos enquanto não fosse necessário agir, traz um poeta dentro de si. Aproveitando a preguiça e lançando mão de um orgulhosos nepotismo, cedo à ele o espaço. Aproveitem. Voltaremos amanhã ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

Saudosismo.

Quero tornar a ver
Os campos da minha terra,
Sentir a brisa orvalhada
Das alvoradas na serra;
Ouvir o sussurro das sangas
Onde brincam lambaris,
Sentir nos pés as flexilhas
Do jeito que sempre fiz.


Contemplar o horizonte
Tremeluzindo à distância,
tostar pinhões entre grimpas
como fazia na infância
colher butiás, guabijus,
e o negro fruto da amora
prá saber se ‘inda tem
os mesmos sabores de outrora.


Permita Deus que encontre
Aquele rio Pinheirinho
Das águas claras, ligeiras,
Nos rumos de Carazinho,
entre capões e coxilhas,
Onde, vencendo distância,
pescava jundiás e traíras,
Mal saído da infância...

 
Quero do novo viajar
No velho trem Minuano,
E saltar em São Miguel,
Prá mim, templo profano
dos ancestrais uruguaios
que cultuava ano a ano:
Laudelino Aristemuño
E a doce Raquel Alba 

                            Pedro A. de Andrade

2 comentários:

  1. Pois é, meu caro Chico! Acabas de expor ao teu público, não um poeta, apenas um tosco falquejador de versos a quem musa nenhuma inspira. Peço desculpas aos poetas pela ousadia!

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  2. Modéstia, Pedrão. Está no nível dos bons payadores. E ainda fiquei conhecendo mais da família!!

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Comentários e opiniões serão sempre bem-vindos, desde que com educação e respeito.

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