domingo, 24 de agosto de 2014

O verdadeiro crime da ditadura...

A semana foi agitada pelas revelações de Míriam Leitão sobre ter sido torturada durante a ditadura. O fato teve as repercussões de praxe e as grosserias e truculências de praxe. Não há o que discutir sobre a violência e humilhação a que a jornalista foi submetida, nem buscar desculpas ou atenuantes. Nem me proponho a isto. 
A minha discussão aqui é sobre um aspecto pouco ou nada discutido sobre o período, talvez por que seja  mais um sensação minha do que uma tese. Talvez o grande crime cometido pela ditadura, e aí não só contra a esquerda, os comunistas ou terroristas seja lá como você os queira chamar, mas contra o próprio país, tenha sido a morte da direita.
O processo negociado da transição da ditadura para a democracia, resultou em dois movimentos migratórios distintos: o dos que escolheram uma aposentadoria silenciosa e o dos que escolheram uma caminhada gradual (algumas nem tão gradual assim) para o centro. Alguns caminharam tão rápido que foram parar na esquerda. Do PP ao PSDB, todo mundo quer ser de centro, centro-esquerda ou esquerda mesmo.
Sendo justo, não é culpa exclusiva da ditadura, é um componente histórico e cultural. Os governos militares contribuíram, um pouco mais, para dar uma cara única à direita. Uma muito feia, tanto que quem se declara como de direita é logo visto como um bicho-papão, um completo fascista. Vamos combinar, alguns fazem por onde.
Quando falo direita aqui, estou me referindo a definição mais clássica, do liberalismo ou dos republicanos no sistema Norte-americano. Pois, esta direita ficou sem voz, com raríssimas exceções, no Brasil. Digamos que, hoje, o Campos que faz e fará mais falta ao país, é o Roberto e não o Eduardo.
Os liberais se tornaram espécie em extinção, principalmente aqueles dotados de um acessório indispensável, chamado cérebro. 
Da economia à mídia, onde Paulo Francis faz muita falta, não houve renovação ou a criação de novos talentos. Os que surgiram são do mesmo nível que a atual geração futeboleira, acham que são craques, quando não passam de bons jogadores, alguns apenas medianos. Como a Seleção Brasileira, basta encontrar um time medianamente organizado pela frente, não precisa nem ser uma Alemanha, para ser goleado.
Esta falta da direita faz com que o Brasil avance a passos de cágado e aos trambolhões. Um país precisa de ciclos de esquerda e direita para que possa atender as demandas de toda a sociedade. PT e PSDB chegaram a criam forças modernizadoras, cada um a seu modo, mas também aqui a falta de uma direita organizada, e com programas claros e definidos fez falta. Não tendo um contraponto, tornaram-se polos opostos e, na disputa pelo poder, tiveram que aliar-se, cada um ao seu tempo, com as forças arcaicas do sistema político brasileiro.
Então, o que o pais precisa é de uma direita com um programa adequado à realidade nacional. E não  uma imitação dos Estados Unidos, o que não temos como ser, já que lá a nação criou o Estado e por aqui o Estado criou a nação, ou uma cópia pura e simples de Singapura, o que também não podemos ser. É preciso perder a vergonha de assumir o liberalismo, como dizia Roberto Campos: "assumir o liberalismo em um país com cultura dirigista é tão alienígena quanto fazer sexo em público". Pois fiquemos pelados na praça!
Como eu escrevi aqui, no post de 17/8, antes de virar carne de pescoço no mercado da opinião. Quem tem se beneficiado disto é o arcaísmo do PMDB e seus genéricos. Mais uma vez, ganhe quem ganhar, serão governo. É a miserável sina do Brasil: flerta com o moderno e vai para a cama com o arcaico.


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