quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O futebol explica o Brasil...

É o título de um bom livro, de interessante tema. Nele Marcos Guterman sustenta a tese de que o futebol é mais do que um mundo paralelo, mas "...uma construção histórica, gerado como parte indissociável dos desdobramentos da vida política e econômica do Brasil". E os fatos insistem em confirmar sua teoria. 

Exemplos:
1. Nenhuma surpresa nos números da pesquisa Ibope divulgada ontem. Eu mesmo afirmei, e escrevi aqui, há uma semana, pelo menos, que Marina estaria no segundo turno, restando saber quem a acompanharia. A pesquisa confirma e amplia, a colocando com boas chances de vitória no segundo turno. Aqui, parece que temos a presença da entidade muito conhecida, presente e comentada nos meios futebolísticos (ou seria futeboleiro?): o famoso Pensamento Mágico. O jogador que saiu do banco e ganhou o campeonato. O técnico que saiu da aposentadoria e deu jeito no time, etc., etc., etc.. As vezes funciona, nem sempre, mas o suficiente para manter o pensamento vivo.

2. O primeiro debate dos presidenciáveis também não trouxe nada de novo. As mesmas ideias, algumas com roupagem nova, a mesma postura de não tocar em temas polêmicos e evitar os que realmente precisam ser debatidos, promessas vagas e nenhuma objetividade. Dilma com sua tradicional incapacidade de se expressar com algum sentido, Aécio com seu tradicional modelo aristocrata mineiro e Marina com o indefectível jeitão esfinge, sabendo que no momento atual chega no segundo turno até por inércia. 
O quadro é o mesmo do atual futebol brasileiro. Não houve renovação. Os craques se aposentaram e não geraram sucessores. Apenas bons jogadores, alguns achando que jogam mais do que realmente jogam. Como a seleção brasileira da copa, medianos individualmente e um desastre coletivo.
E, uma experiência nova e, pelo menos, divertida, acompanhar o debate também pelas redes sociais, ampliou a relação com o futebol. Era como estar nas arquibancadas: os comentários e análises (de profissionais e amadores) tinham todo o distanciamento, a racionalidade e a objetividade de um torcedor comentando o jogo.

Como diz Paul Bloom, psicólogo canadense que palestrou ontem no Fronteiras do Pensamento: até a bondade vem da razão, não das emoções.

Talvez o momento mais interessante do debate tenha sido a fala de Marina se colocando como representante máximo da nova política. Saindo do PT, onde foi ministra nos dois governos Lula, tendo como vice Beto Albuquerque, vice-líder do governo Lula na Câmara, apoiada por Roberto Freire et all, e declarando que quer governar com Simon, Suplicy e Serra, parece consagrar a máxima criada por um dirigente de futebol: o mudar não mudando. É o modelo CBF, vamos renovar reciclando. As vezes funciona. Pelo menos, é ecologicamente correto.

É o futebol, mais uma vez, mostrando ser um, ou o mais, forte componente da identidade nacional. Caso eu fosse membro das hostes pessimistas, diria que, num segundo turno com Dilma e Marina, o voto nulo, branco ou a abstenção seria um dever cívico, patriótico. Como sou dos otimistas: calma! O navio ainda não está afundando, já que os ratos ainda não o estão abandonando, pelo contrário. 
E, depois, 2018 é logo ali. Tem Copa novamente!

Por vias das dúvidas:





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