O endereço do blog existe há bastante tempo. Outras
prioridades sempre adiaram sua estreia. Lamento iniciar este espaço tendo
como mote a morte de alguém. Ainda mais alguém ainda jovem, com um futuro
aberto à frente e que poderia fazer a diferença para ao sua comunidade, o seu
país. Não vou entrar no mérito de se faria ou não esta diferença, a morte,
muitas vezes, distorce as perspectivas. O que quero debater aqui é que os
desdobramentos da morte de Eduardo Campos escancaram mais uma vez a falência dos
nossos sistemas: político, social, moral.
Não estou me referindo, exclusivamente, às
manifestações incivilizadas das redes sociais. Mas, principalmente a algumas
análises na mídia tradicional, e manifestações no meio político, que deixam
entrever sinais de uma forma de pensar que parece estar se transformando no
senso comum entre nós.
Parece haver um consenso de que Marina Silva deva
ser a substituta de Eduardo Campos, até aqui nada mais lógico e natural, como
adepto de eu os fatos devem ser analisados desapaixonadamente, até entendo que
se parta para esta discussão menos de 24 horas após a queda do avião. Afinal, a
vida continua, a eleição está ali na esquina. O que me incomoda é que parece haver
um consenso de que ela e o PSB devem aproveitar oportunidade e surfar na onda
da comoção, usando o corpo de Campos como prancha, sem pensar, nem discutir muito. (Desculpem
a insensibilidade da figura de linguagem). Mais do que isso, nas entrelinhas,
ou mesmo explicitamente, críticas a qualquer prurido moral ou ético por parte
da candidata.
Acredito que a discussão é mais complexa do que
aparenta, e elenco, a seguir, algumas considerações que me fazem ficar preocupado
com a generalização daquele tal pensamento, mencionado acima, e por que a morte
de Campos escancara a falência do sistema.- A simplificação e o reducionismo que colocam o eleitor indeciso ou do voto branco ou nulo automaticamente como eleitor de Marina. Como se ela fizesse apenas figuração na chapa do PSB, ou como um indivíduo desprovido de qualquer vontade, ideia ou pensamento próprio, sendo carregado pela emoção e comoção pública. (embora com os muitos estudos sobre o comportamento das massas, não se possa dizer que esta última ideia esteja de todo errada).
- Marina Silva aceitará a missão e adiará o projeto da Rede para governar segundo o projeto do PSB, dará as costas ao partido que a ajudou a se eleger e criará a Rede mesmo assim, ou governará tendo o próprio partido como oposição.
- A morte de Campos escancara, mais uma vez, a falta de lógica, convicção, ética, moralidade e bom senso que regem as coligações partidárias no Brasil. O PSB, que desembarcou do governo, por que queria deixar de ser coadjuvante e apresentar o seu projeto ao país, terá que optar se escolhe Marina para chegar ao poder, mesmo correndo o risco de ao chegar lá ela retome o projeto da Rede e o PSB volte a ser coadjuvante, com um eventual bom governo de Marina adiando ainda mais os planos, ou um eventual mau governo sepultando estes planos. Ou escolhe um nome com menores possibilidades de vitória, preservando o plano original para à próxima eleição? Resumindo disputa a Copa do Brasil ou escolhe a Sul-Americana?
Sim, o Inter é uma
entidade de direito privado, mas não deixa de ser público (seus torcedores e
sócios) cobrar impostos (mensalidade) e deveria entregar uma gestão e um
serviço de qualidade, seriedade e comprometimento. Seus dirigentes, assim como
qualquer gestor público deveriam saber que não dá para ligar ou desligar a
seriedade de acordo com as suas conveniências. A seriedade tem que estar sempre
presente, desde o momento em que acomodam suas bundas gordas nas macias
almofadas de couro vermelho (ou da que cor seja) de suas cadeiras.
Este é o pensamento que
talvez explique os 7 x 1, os mensalões e outras mazelas que assolam este país.
Só nos resta dar os parabéns aos desqualificados que (des)classificaram o Inter para a sul-americana, desejar boa sorte e bom senso ao PSB e Marina Silva nas decisões
que precisam tomar e lamentar a morte de Eduardo Campos e, possivelmente, de
uma oportunidade de mudanças.
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