Profanei os belos versos de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir (desculpa, aí pessoal. Licença Comunidade da Imperatriz) para retomar a discussão sobre nossa tendência a relativizar o valor da seriedade (ou de qualquer outro: honestidade, ética, cidadania, compromisso, etc), tema do post de ontem. E este comportamento parece estar em todos os setores da sociedade. Se ontem falávamos especificamente da político e do esporte, hoje falamos de como ele aparece, intencional ou fruto de decisões apressadas em outros setores.
A decisão do Datafolha de realizar uma pesquisa 24 horas depois da morte de Eduardo Campos me parece precipitada. Não por questões morais ou humanitárias, embora concorde que não deveriam ser desprezadas, mas por questões técnicas e metodológicas. Até onde lembro, Platão dizia que opinião é fruto da reflexão. Você pensa, argumenta, contrapõe, compara, pesa e chega a uma opinião.
Aferir opinião em um momento de alto grau de emoção e com as manchetes praticamente implorando: Por favor, Marina, (o que seria óbvio e natural, se a questão não fosse mais complexa do que parece, leia o post de ontem) me parece que existe uma grande chance de o resultado apresentar alguma discrepância com a realidade logo ali na frente. A opinião será a mesma após a comoção diminuir? Não estou defendendo nenhuma teoria da conspiração, até porque acredito que a mídia tem, pode e, até, deve ter suas posições, preferências e interesses. Apenas defendo que isso seja feito de forma clara e transparente.
Então, o que sobressai, mais uma vez, é o pouco caso com a seriedade, numa tentativa de mostrar agilidade, capacidade técnica, sair na frente da concorrência, ou de influenciar no processo (um direito da empresa e seus dirigentes, desde que, repito, seja claro e transparente) apimentando um pouco a disputa. Aliás, a palavra instável surgiu na quarta-feira para definir a campanha eleitoral. Eu ando muito distraído, mas após trocentas pesquisas em que os candidatos parecem não sair do lugar, o máximo que eu consigo é um indefinida. Sempre há a possibilidade de, nos meus parcos conhecimentos da língua portuguesa, desconhecer que ambas são sinônimos. (Sendo didático, instável significa que pode mudar a qualquer momento. Indefinida significa que, embora não haja indícios significativos de mudança, não se pode afirmar que a situação está definida. Sutil, mas diferente.)
O desejo de mudanças é grande em todos os setores da sociedade. Mas, esta tendência a relativizar a seriedade das coisas, que pode não ser percebida, mas é muitas vezes intuída, pode explicar os altos percentuais de brancos, nulos e indecisos. A percepção de que as alternativas apresentadas para a mudança e seus agentes, agem e pensam de forma muito parecida com o já existente. De que a reforma acabe se restringindo a mudar a cor das paredes.
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