segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ainda a corrida eleitoral...



Eu pretendia dar uma folga aos meus 6 seguidores e deixar as eleições de lado hoje, escrever sobre viagens, música, literatura. Mas, não dá para deixar de comentar a pesquisa do Datafolha. Então, prezado torcedor, prezado secador (com a permissão de Xico Sá) vamos à corrida.

Escrevi antes (ver post em algum lugar aí embaixo) que a pesquisa era precipitada, e continuo achando. Porém, olhando com o devido distanciamento crítico, e focando apenas nos números, sem qualquer intenção de análise sociológica, cultural ou de analista político, apresenta alguns dados interessantes.

O primeiro parece confirmar a tese que defendo (também está por aqui, é só procurar), de que a corrida, até aqui, pode ser chamada de tudo, menos de instável. Aliás, está aborrecidamente estável. A tartaruga que entrou agora não alterou a posição de ninguém. Já que não tirou voto de ninguém, apenas diminuiu o percentual daqueles que não tinham candidato. Então, não abalou a estabilidade da campanha, mas reduziu ao mínimo uma incerteza, teremos ou não segunda bateria nesta corrida. Afirmei ontem, e volto a afirmar, teremos segundo turno e Marina estará nele. O risco de não termos existe, mas é mínimo. Explico mais adiante.

O primeiro fato, que me surpreendeu em parte, por que nada mais complexo que o comportamento do eleitor, ainda mais nesta gosma (aqui pedindo licença ao Juarez Fonseca pelo uso do termo)  de sistema eleitoral que possuímos, foi o percentual de Marina. Esperava mais. Em abril, na última pesquisa em que aparece como possível candidata, tinha 27% das intenções. Matematicamente falando, e olhando só os números, somando os 27 com os 8% que Eduardo Campos tinha, seriam 35%. É claro que não esperava isso, mas com toda a comoção e etc, esperava algo mais perto dos 27. 

Considerando-se que os 21% atuais sejam todos dela, teria perdido algo como 16% das intenções de voto de abril para cá, dos quais recuperou 10% da turma dos indecisos, brancos e nulos e 6% continuam lá ou migraram para algum lugar. Se colocarmos na equação os 8% de Eduardo Campos temos duas opções: ela perdeu 24% , ficando com 3%, que somados aos 10% recuperados, mais os 8 de Campos, somam 21, ou perdeu 20%, ficando com 7 +10 recuperados, e os 8% de Campos seriam, na realidade, 4% de quem votaria nele apesar da Marina e 4% de quem votaria nele pela presença dela na chapa ou independente dela estar ou não na chapa. Os números e combinações podem variar ou não significar nada.

Como eu disse, nada mais instável (aqui cabe o termo) do que o comportamento de boa parte do eleitorado. Mas, os dados permitem um palpite ou uma suposição de que ao optar pelo pragmatismo e aceitar ser vice de Eduardo Campos, Marina pode ter perdido alguma bagagem pelo caminho. Ou o sentimento do eleitorado em abril, de que ela seria diferente, em ideias e ações, dos político que andam por aí, tenha diminuído com este pragmatismo, parte dele continua sem candidato. Veremos quando começar o horário eleitoral. 

Por último, explicando o tal risco mínimo de não haver segundo turno, a entrada de um novo corredor não causou o estrago esperado. O percentual de votos de Dilma continua inalterado (consolidado?) e ela precisa conquistar o mesmo número de votos para vencer no primeiro turno do que precisava há três meses. O risco é mínimo, por que Aécio e Marina só precisam manter o que já tem hoje para haver segundo turno. 

Ou seja, a corrida continua modorrenta, mas há uma pequena luz no fim do túnel, de que o horário eleitoral acabe com o marasmo.


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