quinta-feira, 11 de setembro de 2014

El gaucho insufrible...

O gaúcho insuportável é o título de um conto, que dá título a um livro, de Roberto Bolaños, renomado escritor argentino. Em linha gerais, conta a história da perplexidade e desconforto, insuportável, de um gaucho que se dá conta de que a pampa não mais existe, que busca reviver uma cultura esquecida nas prateleiras da literatura gauchesca.
É uma analogia um tanto quanto forçada, mas, penso, se aplica no caso do CTG incendiado em Santana do Livramento. Quero afirmar aqui uma posição intermediária entre os que incendiaram parte do CTG, supostamente em defesa de certos valores e os que, em defesa de certos valores, querem incendiar o restante do galpão e todo e qualquer CTG. 
Entendo que o caso atual tem similaridades com o caso que envolveu a torcida e a instituição Grêmio. Repetem-se os posicionamentos. Para alguns os atos são fruto de indivíduos desprovidos de qualquer humanidade. Para outros, fruto de uma sociedade corrompida. Acredito que é mais complexo do que isso, embora envolva elementos dos dois. Há gente má, por que é má e há sociedades que são corrompidas em seus valores. No entanto, há um terceiro elemento, que me parece essencial. O fato de os que deveriam liderar, estarem tão perplexos e despreparados para enfrentar uma nova realidade, quanto os seus liderados.
Assim como as direções do Grêmio não souberam ou não quiseram enfrentar o problema, o MTG, que anda "mais quieto do que guri cagado" com esta situação toda, não cumpriu seu papel. Não tirou o tradicionalismo da prateleira, não debateu as mudanças da sociedade, não se posicionou, não defendeu suas bandeiras. Esse é o ponto. Não só no âmbito dos CTGs, mas de todo a sociedade. No público todo mundo é progressista, humanista e qualquer outro ista que esteja na moda. No privado florescem os preconceitos, a intolerância, a covardia. 
Se o MTG tivesse comprado a briga, debatido a questão e chegado um consenso, as coisas não chegariam a este ponto. Ou como diria Arnaldo César Coelho, se a regra fosse clara, os conflitos seriam menores. Bastava uma posição: não, não permitimos homossexuais ou, sim permitimos, e quem não concordar que crie outra corrente tradicionalista, ponto. Simples assim. Esse medo em assumir posições e compromissos é que transformou uma cultura de valentes em seu oposto, uma cultura de covardes.
Isso explica porque quem atacou o CTG não chegou pela frente, portando sua bandeira, suas cores, defendendo seus valores, mas agiu na calada da noite, como maulas que são. Quem tem certeza das suas razões vem para a briga frente à frente, não dá o tapa e esconde a mão.

2 comentários:

  1. A culpa por mais essa confusão está no fato de que o Rio Grande já não é mais o mesmo, não se faz gaúcho como antigamente! Há muito pitbull, de bombacha e tudo, que na real é Lassie!

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    1. Pois é!rsrsrsrs O problema maior é que tem muito Floquinho. Lembra do cachorro do Cebolinha? Não se sabia onde era a cabeça e onde era o rabo?(sem duplo sentido). Pois tem muito índio por aqui que não se sabe se está indo ou vindo, que diz uma coisa e pensa ou faz outra. Gaúcho de verdade é produto em falta nas prateleiras. Aliás, é uma fartura no bolicho: farta seriedade, farta palavra, farta comprometimento, fartam ideias.....

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