O comercial fake do grupo americano College Humour, embora criado pensando no momento americano dos confrontos em Fergunson, pode muito bem ser utilizado para explicar o nosso modo de pensar e agir frente a questões como esta. "Ele tem o mesmo sabor do ‘Racismo’ tradicional, mas sem qualquer traço de culpa ou autoconsciência. O refrigerante para quem jura que não é racista, mas praticamente transpira racismo em tudo que faz ou diz". Veja o comercial aqui:
As reações após o episódio das manifestações racistas na Arena do Grêmio seguiram o roteiro tradicional, os que queriam a execução sumária da jovem "torcedora", os que queriam a imolação do goleiro santista "agente provocador" do incidente e a turma do é assim mesmo, ofensas "normais" nas arquibancadas, sem nenhum juízo de valor ou significado.
Esta parece ser a grande dificuldade, o grande entrave para que possamos crescer como país e como nação. Vencer esta incapacidade de discutir nosso valores, nossos conceitos, a busca pura e simples por um consenso, uma "cordialidade", uma unidade, sem o necessário reconhecimento e aceitação das diferenças.
Nos falta um projeto de nação. Quem somos e quem queremos ser. No que somos iguais e no que somos diferentes. No que concordamos e no que discordamos. E a partir daí construir um projeto comum. Nosso hábito de agir por impulso, sem pesar consequências, ou movidos simplesmente pelo desejo de derrotar o outro, é o que nos trouxe até aqui, com todas as mazelas com que convivemos.
Certamente muitas vozes aumentarão o volume para protestar, demonstrar o quanto não são racistas, provavelmente usando como exemplo o fato de que, até votarão na Marina para presidente. Certamente, também, serão os primeiros a lembrar da cor da pele dela, se as coisas não correrem como o esperado.
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