Dançando no ar
E eis que descubro que 14 de janeiro é o dia internacional da Pipa. E fico me perguntando: por onde andam as Pipas? Esta arte milenar ainda é cultuada em algum lugar do planeta?
Pipa, Arraia, Raia, Papagaio, Pandorga muitos nomes e algo em comum: cores vibrantes e a promessa de um céu conquistado.
A pipa sempre foi mais do que um simples brinquedo. Cultuada no Oriente, cheia de significados místicos e/ou religiosos, expressão de arte, decoração, arma de guerra, instrumento da ciência e do progresso (alô Benjamin Franklin, Alexandre Wilson, Roger Bacon, Leonardo da Vinci e outros [dá um Google neles..]) e o nosso Santos Dumont: que foi o 14 Bis senão uma grande pipa sofisticada e com motor.
Mas, o mais importante, sempre foi um portal para a imaginação, um convite para a aventura e um fio invisível que nos conectava com a família. Que pai não ensinou aos filhos rudimentos de engenharia, física, aerodinâmica, arte, design e química: a velha cola de farinha! Era um ritual familiar, capaz de promover a paz entre irmãos (pelo menos até começar a discussão sobre quem fez a pipa alçar mais alto. Mas garantia alguns momentos de paz!)
Os finais de tarde, quando o sol começava a se despedir, pintando o céu com tons de rosa e laranja era hora de pegar a pipa, a linha e correr campo a fora. A emoção de ver a pipa se erguer cada vez mais alto era indescritível. Com cada metro conquistado, a sensação de liberdade e conquista aumentava. Mas, mais do que a alegria individual, era a experiência compartilhada que tornava aqueles momentos tão especiais.
Naquele momento, não existiam problemas, nem preocupações. Estávamos todos unidos por um objetivo em comum: fazer a pipa voar. A cada tentativa e erro, aprendíamos a trabalhar em equipe, a ter paciência e a celebrar as pequenas vitórias.
O tempo e a vida nos levam por caminhos diferentes. Mas, sempre que vejo uma pipa no céu, sou transportado para aqueles momentos de pura felicidade. A pipa, lembra a importância dos laços familiares, a beleza da simplicidade e a magia da infância. A pipa era uma forma de fortalecer os laços familiares, de criar memórias inesquecíveis e de nos conectar com a natureza. E é por isso que, até hoje, quando vejo uma criança correndo com sua pipa, sinto uma alegria imensa.
Sim. Respondendo à pergunta lá de cima, as pipas ainda sobrevivem, em menor escala, em muitos lugares deste mundo cada vez mais conturbado. Talvez seja isto que nos falta. Mais Pipas, mais tempo em família, a experiência compartilhada, descobrir o valor da cooperação e da colaboração. Tirar os olhos das telas e voltar a olhar o céu!
Afinal, a pipa continua sendo um símbolo da esperança, da liberdade e da união.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários e opiniões serão sempre bem-vindos, desde que com educação e respeito.